Uma Visita Reconfortante

fevereiro 24, 2026

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♫⋆。 Escutando…
Quando cheguei, tudo aconteceu tão rápido que mal consegui reagir. Uma das cozinheiras me viu da janela e saiu correndo para chamar meu pai, que não demorou mais do que minutos para aparecer no meio da cozinha e me puxar para um abraço. Logo em seguida, se afastou, sem me soltar, o rosto vermelho, e começou a falar alto.

- Você está bem? Está ferida? Está segura? - me examinou rápido e quando viu que eu estava bem, voltou ao monólogo - Como você pode fazer uma coisa dessas com seu próprio pai! Eu procurei você em todos os cantos, chamei meus melhores soldados, íamos saindo agora atrás de você! Como você pode abandonar seu pobre pai assim! - me abraçou de novo - Eu já perdi sua mãe, se perder você, eu não tenho mais sentido.

Nesse momento, eu já estava chorando e o abraçando de volta, me sentindo extremamente culpada.

- Oh, meu querido pai. Me perdoe, não foi minha intenção ficar tanto tempo fora. Fui buscar pistas de mamãe na nossa clareira e me perdi ao voltar, as coisas mudaram tanto desde que ela estava aqui.

Dei poucas informações e torci para ele não perguntar mais, já emendando o tópico.

- Tia Ingrid que me encontrou! Hoje pela manhã! Me trouxe de volta, mas algo aconteceu e ela teve que voltar às pressas para casa.

- Ingrid esteve aqui ontem mesmo, fui eu quem lhe deu a notícia. Devo um grande favor a ela por isso. Por ser tão boa amiga de sua mãe e por tanto que fez por nós quando sua mãe se foi. Ah, como devo tantos favores a ela, só Deus sabe o tanto.

- Pai, preciso comer algo, estou realmente muito faminta.

- Claro, venha, venha! Realmente, precisa se alimentar e descansar. Aproveito e lhe apresento a um jovem rapaz que tive a ocasião de conhecer após seu sumiço e logo se prontificou a nos guiar nas buscas hoje. Disse que conhece bem aquela floresta.

Uma intuição estranha se alojou em meu peito. Mas, continuei sorrido para meu pai, não deixando a sensação crescer.

- Claro, meu pai. Só vou me refrescar primeiro e o encontro na sala de jantar.

Quando ele se virou para sair, voltei às pressas para a porta da cozinha e recolhi os livros que deixei escondidos no canto, atrás de um banco. Conferi que meu pai havia se retirado e que ninguém me observava e levei os livros o mais rápido que pude para meu quarto.

Pensei em escondê-los em muitos cantos, mas todos iriam parecer suspeitos. Optei pelo truque mais antigo, esconder à plena vista. Misturei eles à minha bagunça pessoal de livros de romance que estavam sobre minha mesa.

Fui até o banheiro anexo e, minha banheira estava cheia de água quentinha! Tinha que agradecer à Lana, ela era um amor e ao saber de meu retorno deve ter se apressado em encher a banheira para que eu pudesse me sentir bem. Quando coloquei os pés gelados na água quente, meu corpo já relaxou. Prometi à mim mesma que não demoraria, porque meu pai me esperava, mas, meus olhos pareciam pesados demais.

Não sei quanto tempo adormeci ali, mas, acordei em um susto com a água gelada. Tentando me reconhecer depois de acordar tão subitamente, vi um corvo sentado no parapeito da janela. Ele me encarou de volta.

- Ora, ora, tudo bem com você? - ele virou a cabeça de lado, como se entendesse o que eu falei - Qual seu nome? - ao que ele apenas fez uma pequena reverência.

Que coisa mais curiosa. Mas, bem que ouvi por aí que corvos eram bem inteligentes. Encaranto mais um pouco as penas brilhantes da ave, uma lembrança me ocorreu.

- Ah! Você deve ser um dos mensageiros de Felipe! Nossa, ele é rápido. Não tenho nada para te passar no momento, mas, se quiser me fazer companhia. Precisamos dar um nome à você, não é mesmo? Será que já tem um nome? - Ele deu um pulinho para a mesa que ficava junto à janela, se aproximando e me encarando.

“Sim, eu tenho um nome. Mas, fiquei curioso. Qual nome você me daria?”

Pulei da banheira em um susto. Ele havia falado comigo? Respirando fundo, fui até a toalha e me sequei, antes que começasse a pensar como só poderia estar louca. Alucinando! Devo ter batido a cabeça em algum momento quando adormeci na banheira. Mas, não sentia dor alguma.

- Você... fala...?

“Me comunico sim. Acha que os animais não se comunicam?” Com isso, viou a cabeça para o outro lado.

Será... Será que são os meus dons druídas acordando? Fazia sentido, mas não deixava de ser muita informação para tão pouco tempo. Vamos, você tem que se acalmar. Em silêncio, comecei a retornar para o quarto, buscando minhas roupas. O corvo não me acompanhou. Coloquei um vestido limpo e prendi o cabelo, tentando manter minha respiração controlada. Antes de sair pelo quarto, voltei ao banheiro, onde a ave me esperava na mesa.

- Bran.

O corvo me encarou, curioso. Saltou para o parapeito da janela novamente e antes de alçar vôo, olhou para mim e disse:

“Gosto desse nome. Bran será então.”

E antes que eu pudesse reagir, ele se foi pela janela. Corri para o parapeito a tempo de ver ele se afastar.

- Se puder, volte logo! - Eu ia gostar da companhia, de alguém para falar livremente sobre esse novo lado da minha vida.

Desci as escadas até a sala de jantar, onde encontrei meu pai já sentado à mesa.

- Ora, achei que você nunca ia chegar. Você não me engana, dormiu na banheira. - Ri desse comentário, meu pai me conhecia muito bem. Seria muito difícil esconder qualquer coisa dele por muito tempo. Espero sinceramente que não seja por muito tempo.

- Sim, meu pai, você acertou.

Ele riu e se levantou para me abraçar novamente. Nesse moemento, alguém entrou na sala em silêncio.

- Aqui está ele! Quem eu queria lhe apresentar. Brian, está minha filha querida, Flora.

Brian sorriu e se aproximou, tomou minha mãe, beijou de leve e me encarou com olhos violeta.

- É um enorme prazer conhecê-la, princesa Flora.

Fiz uma pequena reverência, sem quebrar o contato visual.

- O prazer é meu.

Ele me guiou até uma das cadeiras ao lado do meu pai e puxou para mim. Me sentei ainda o observando. Brian se dirigiu ao outro lado de meu pai, na cadeira à minha frente, me encarando novamente com um sorriso.

- Vamos brindar ao seu retorno, minha filha.

Sem dizer mais uma palavra, brindamos e o almoço foi servido.

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Olá! Tudo bem? Demorei um pouquinho para postar essa parte, mas está aqui e espero que gostem! :) Quem ainda não leu desde o início, dá uma chance, por favor… Minha primeira estória mais longuinha publicada.

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